Renúncia

É realmente muito estranho que as pessoas sofram tanto e ainda assim não despertem, mas se prendam a todos os tipos de falsas identificações. O mundo inteiro está preso pelo desejo de riqueza e sexo. As pessoas fazem disto a meta de suas vidas e ao final sofrem. Identificando-se com nosso corpo e com os outros corpos nos prendemos em todos os tipos de envolvimentos emocionais e criamos sofrimento sem fim. É claro que há muitas pessoas que parecem gostar de tudo isto. Como na parábola de Sri Ramakrishna, o camelo come arbustos espinhosos que sangram a sua boca, mas continua a comê-los da mesma forma.  Mas um aspirante espiritual não pode viver desta forma. Ele fixou para si mesmo um ideal elevado e por isso não pode perder-se em envolvimentos mundanos. Por isso começa a pensar profundamente sobre renúncia e desapego.

    A renúncia é o tema central da vida espiritual em todas as religiões. Renúncia da riqueza e da cobiça, do sexo e da luxúria e do egoísmo – esta tríplice renúncia é invariavelmente enfatizada em todas as escrituras e por todos os homens verdadeiramente espirituais. Sem renúncia não há vida espiritual. E renúncia não significa apenas a renúncia externa, mas também a renúncia mental. Devemos renunciar a todo nosso apego ao nosso próprio corpo e mente e aos dos outros, e tornar-nos verdadeiramente desapegados de todos os modos. Não é suficiente se fizermos isto somente com relação a certas coisas e pessoas, enquanto tentamos nos prender a outros ainda mais. É fácil evitar certas coisas ou pessoas de quem não gostamos e chamar isto de renúncia. A verdadeira renúncia é a mudança de atitude em relação a tudo.

    Por que a renúncia é necessária? Por que devemos praticar tanto o desapego? As práticas espirituais jamais poderão ser executadas com sucesso sem abandonar as velhas associações com coisas e pessoas que não auxiliam ao aspirante. Somente quando estivermos preparados para renunciar nossos desejos e paixões e nosso apego aos outros, seja na afeição ou na aversão, poderemos praticar a verdadeira religião com bons resultados e  poderá haver progresso. Nunca permita que sua mente o engane sobre este ponto. A mente sempre tenta apresentar alguma razão plausível para que não possamos renunciar esta ou aquela coisa, para que nós possamos estar na companhia de tal ou qual pessoa, de que é nosso dever conversar com ele ou com ela, etc. Nunca acredite em sua mente nestes casos. Ela sempre irá enganá-lo e tornar-se o porta-voz de seus desejos conscientes ou inconscientes. Portanto não precisamos apenas de japa, oração, meditação e outras práticas espirituais, mas também de renúncia. De fato japa e meditação só são efetivos na medida em que somos bem sucedidos em ter mais e mais da verdadeira renúncia e desapego. Quando estes dois – práticas espirituais e renúncia – são combinados, torna-se possível para nós controlar a mente e começar a limpar todos seus cantos sujos onde permitimos que se acumulasse todo tipo de imundície por eras e eras através de incontáveis nascimentos.

Demasiada mundanalidade é como o fogo. Ela queima o coração. Torna uma pessoa insensível aos valores espirituais. Uma pessoa mundana não pode apreciar a felicidade da vida espiritual. A faculdade da intuição torna-se tão inerte em uma pessoa mundana que não é mais sensível às vibrações mais elevadas. Ela não tem nenhuma idéia das verdades espirituais e apenas continua se banhando na poça suja de seus desejos e paixões.

Paz Profunda

Passagem

Não há nada a esconder nesse momento. Somos um processo em transformação.
Vida-morte é um processo incessante de transformação.

O ritual do fim da vida é importante. Para os que morrem e também para os que vivem. Fechamos um círculo.

Morrer é como adentrar outra dimensão, como ir fazer uma viagem a lugares novos e desconhecidos. Ao mesmo tempo esses lugares são familiares. Conforme nossas vivências e suas consequências – ações que deixam marcas, impressões na realidade – abrem-se mundos diversos para a pessoa que está deixando a vida. Podem ser universos de luz e alegria, podem ser de sofrimento e dor, podem ser campos, animais, plantas belíssimas ou cenários aterrorizadores. Tudo surge de sua própria mente. Que não se atemorize. Que compreenda e, sem apegos e sem aversões, vá à luz infinita, liberte-se da vida e da morte.

Se houver o verdadeiro arrependimento por ações, palavras e pensamentos prejudiciais cometidos em qualquer época, os mundos de sofrimento e dor se transformam em esferas de harmonia.

Assim, o ritual de despedir-se é muito importante. Inclui o arrependimento e a entrega ao Deus do seu coração, seja Ele qual for. Arrepender-se é transformar-se, é purificar-se. É preciso terminar bem o livro desta vida. Livro com prefácio, vários capítulos e um final. Esse final é um outro começo, de outro livro, com outro título e outras inúmeras possibilidades.

Não é o mesmo livro, nem o mesmo personagem, mas outro livro.

Como ondas no mar. Tudo é o oceano, que recebeu águas de inúmeros rios. Causas e condições formam ondas. Cada onda como se fosse uma existência. Cada uma interdepende da outra, mas não é a outra. Interligadas e ao mesmo tempo únicas. Transformando-se a todo instante. As causas e condições de uma onda se tornam efeitos em outras e assim por diante. Mas cada uma tem começo, meio e fim.

Felizes os que conscientemente podem morrer. Orando e agradecendo a vida. Abençoando e se despedindo com ternura dos que ficam. Entregando-se à experiência seguinte, sem apegos e sem aversões.

Quando a morte termina, a vida começa. Mas não a mesma vida, nem a mesma morte. Nada jamais se repete.

Preparar-se para a morte é preparar-se para a vida. É estar pronto a cada instante, fazendo o melhor de si a cada momento. Pois nunca sabemos quando e onde as causas e condições que tornam possível nossa vida serão rompidas.

Aos que se vão abruptamente agradecemos a vida que compartilharam, quer tenha sido de um dia, de meses, ou de muitos anos. E que possam seguir em paz, tranqüilidade, e que nós, que aqui ficamos, completaremos o que tenha de ser completado na ternura e no cuidado do amor que desconhece fronteiras.

Todo o processo de finalização da vida é murmurado, orado, abençoando e invocam-se a presença, a luz, a serenidade dos seres sábios, iluminados e benfazejos, para que mostrem o Caminho da Luz Infinita.

Eclipses de Junho – Sabotagem, Términos e Encerramentos


Nesta semana chega o segundo dos três eclipses e tivemos muitos lembretes de onde precisamos criar o encerramento e permitirmos os términos. Esta semana traz um eclipse lunar total, o que sempre envolve as emoções, as energias femininas e as da mãe, e questões em torno do poder e dos relacionamentos. A lua sendo “eclipsada”, ou bloqueada pelo sol, é uma metáfora que nos lembra de onde entregamos o nosso poder e como nos limitamos pelo medo, incluindo a auto-sabotagem e o papel que as nossas emoções desempenham na maneira como criamos a nossa vida.

A palavra “sabotagem” vem da palavra francesa para sapatos de madeira que os trabalhadores usavam, os “tamancos”. E quando eles queriam protestar contra as condições de trabalho, eles atiravam os seus velhos sapatos nas máquinas, quebrando-as. Eles ganhavam a batalha, mas perdiam a guerra sem as máquinas que significavam: sem trabalho ou dinheiro. O eclipse desta semana nos pergunta onde sabotamos a nossa vida, onde usamos o nosso poder para nos limitarmos e interrompermos a máquina de nossa vida em protesto, esquecendo-nos de que estamos no controle, no comando do processo e que há meios mais fáceis e menos dramáticos e drásticos para mudarmos o caminho da nossa vida.

O outro assunto para o eclipse são os términos e encerramentos. Todos nós queremos términos agradáveis, bem organizados, com encerramentos que nos reconheçam, que reconheçam as nossas contribuições e o nosso sacrifício. Às vezes obtemos isto, mas em outras vezes, isto não ocorre. Todos os encerramentos se seguem a términos, mas os términos nem sempre vêm com o encerramento  – algumas vezes temos que nos dar permissão para concluirmos e terminarmos com alguém ou algo, porque isto não virá deles. Nossa necessidade para o encerramento reflete a nossa necessidade para a validação e o reconhecimento pelos nossos esforços. Alguém foi muito rápido ao nos deixar ir? Algo terminou antes que estivéssemos preparados para isto partir? Fomos reconhecidos e apreciados pelo que fizemos?

Se estivemos indecisos em relação a uma situação ou pessoa, um eclipse nos abençoará com um final rápido que não deixa margem para dúvidas de que isto terminou. Mas se quisermos encerrar com o término, temos que decidir o que isto envolve, o que isto significa para nós, como queremos nos lembrar da situação ou pessoa, o que aprendemos e como isto nos ajuda a avançarmos para a próxima fase de nossa vida. E então nos concedemos a dádiva do encerramento, fechamos a porta e avançamos. E se estivemos sabotando a nossa vida, fazendo escolhas impotentes, entregando o nosso poder, permanecendo em uma situação mais do que o necessário ou não servindo as nossas necessidades, ficaremos cara a cara com isto neste momento. Aquilo que estiver concluído, terminado ou que se afastou do seu caminho neste momento, deixe-o ir, conceda-se e encerramento que deseja e precisa, e se volte para um futuro mais poderoso e satisfatório.

Direitos Autorais 2011 – Jennifer Hoffman

Caminhantes

Há pessoas que deixam pegadas eternas pela vida.Seguem seu próprio caminho, sem se importar com os obstáculos que encontram nem com as distâncias que as separam de seus destinos. Elas apenas caminham, marcando cada passo com energia e convicção, deixando atrás de si um rastro de originalidade e sabedoria. Suas pegadas só são percebidas pelos que vêm depois, e que descobrem ser aquele o melhor caminho para uma vida melhor. Mas os que seguem a mesma estrada e trilham as mesmas pegadas, estes não encontrarão diante de si nem os mesmos desafios, nem os mesmos obstáculos, e todas as descobertas já serão conhecidas.

O desafio de nossa caminhada terrena está não só em descobrir por qual estrada devemos seguir, mas a que destino almejamos chegar. Aqueles que olham apenas para o chão, seguindo os passos de outros, dificilmente terão problemas no percurso. A segurança de sua jornada está em repetir o caminho que muitos já trilharam, pois seus problemas serão menores e mais previsíveis.

Mas há aqueles que preferem admirar as paisagens da estrada e sentir o prazer na aventura da jornada. Na curiosidade de descobrir novos lugares e de perceber novos encantos, eles se aventuram por trilhas inóspitas e desconhecidas. Muitas vezes, olhando para o céu e se orientando por estrelas, eles se descobrem voltando para o local de onde saíram, mas o atraso não os assusta, nem intimida, pois se sentem mais seguros e animados. Eles, sem saber, vão fazendo seu próprio caminho.

Aqueles que seguem as trilhas demarcadas, ao contrário dos aventureiros, chegarão sempre a algum lugar. Mas como caminharam com os olhos pregados no chão, pouco poderão dizer do que viram. Os que se encantam pelo caminho dificilmente chegarão a algum ponto final, mas saberão de muitos atalhos e terão sempre muitas histórias para contar.

Sua maior conquista é o que aprenderam: a magia da vida está na eterna mudança, e o destino não é algo fora de nós, mas um desafio sagrado que trazemos na algibeira.

Paz Profunda e Boa Semana

Amor

O Amor é a força mais poderosa do universo, uma força de união. O universo existe graças ao Amor de Deus. O Amor, com A maiúsculo, pode se manifestar de muitas formas: há o amor entre pais e filhos ( amor paternal e filial ); amor entre irmãos ( amor fraternal ); amor entre amigos ( amizade ); amor entre seres humanos ( namoro e casamento ); e também há muitas outras formas de amor, como o amor que sentimos pela natureza, pelos animais, pelos livros, pelas coisas que fazemos, pela música, pela arte e assim por diante.

Deus ama, e nós que somos feitos à sua imagem e semelhança, amamos também. Deus é infinitamente perfeito e seu amor é infinitamente perfeito. Nós seres humanos, não somos perfeitos, estamos trilhando a longa Senda da Evolução, por isso nem sempre amamos corretamente e cometemos muitos erros em nome do amor. O amor nos atrai para coisas, pessoas e situações, mas só porque estamos amando algo ou alguém não significa que isso seja bom para nós. Por exemplo, a pessoa que fuma. Quem fuma ama o cigarro: isso não significa que o cigarro seja bom para quem fuma. A ciência já provou que esse "amor" tem efeitos nocivos para o corpo. A experiência de vida e a sabedoria que se adquire com essa experiência nos ensina o que é bom ou ruim para nós, seja para nosso corpo ou para nossa alma.

Assim, quanto mais jovem somos, ou quanto menos experiência de vida temos em determinados assuntos, podemos nos enganar e acreditar que um amor que sentimos por algo ou alguém seja perfeito e seja a coisa mais importante da nossa vida. É então, que o amor pode nos causar sofrimentos. Por outro lado, pela experiência adquirimos sabedoria.

Mas, mesmo assim com sofrimento, o amor por uma pessoa, é uma coisa maravilhosa - nos faz ter pensamentos e sentimentos belos e nos deixa com a sensação de ter o coração cheio. Feliz é a pessoa que ama, mesmo quando não é correspondida, mesmo quando seu amor está distante e ela sente dores de saudade, mesmo quando acaba descobrindo que se enganou: pois essa pessoa vive a medida que adquire também a sabedoria de amar corretamente, ela se aproxima cada vez mais do Amor de Deus.

Paz Profunda  

Quarta Feira de Cinzas - Significado


O significado das cinzas

O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.

O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.

Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".

Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.

Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.


BÊNÇÃO E IMPOSIÇÃO DAS CINZAS NO INÍCIO DA QUARESMA

Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:

1. Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19). Somo chamado;

2. Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.

Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.

Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Faça uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando a atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.

A Morte


A morte não é nada.

Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.

Dá-me o nome que sempre me deste.

Fala-me como sempre me falaste.

Não mudes o tom a um tristeou solene.

Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.

Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.

Que o meu nome se pronuncie em casa

como sempre se pronunciou.


Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.

A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.


O cordão de união não se quebrou.
Porque eu estaria for a de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista ?


Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.


Seca tuas lágrimas e se me amas,
não chores mais.


Santo Agostinho