
A entrada do Templo da sabedoria é simbolizada por dois pilares ou duas colunas. A Bíblia menciona literalmente em seu Livro dos Reis, os pilares erigidos pelo Rei Salomão na entrada de seu Templo. Esses pilares, na verdade, são muito mais antigos e possuem um sentido simbólico pelo qual a Rosacruz, a Maçonaria e o Martinismo se interessam essencialmente.
O simbolismo dos dois pilares representa a oposição que existe na natureza. Esses pilares, em sua aparência, são opostos entre si, mas esotericamente, duas condições produzem necessariamente uma terceira, e esta última, cumpre uma função intermediária e, assim, a oposição aparente dos dois pilares é harmonizada por essa nova condição. Essa é a lei do equilíbrio, que é a de conciliar os opostos. O bem e o mal, a vida e a morte, a ser e a substância, o espírito e a matéria, constituem as oposições da vida representadas pelos dois pilares. Cabe ao buscador sincero reconhecer esses opostos e encontrar entre eles o que pode explicar suas oposições aparentes e também o que pode estabelecer a harmonia entre eles.
A oposição que por instantes parece destruir o equilíbrio faz surgir leis menos conhecidas da força universal, difusas de maneira invisível dentro do conjunto.
Os pilares do Templo de Salomão devem ser considerados como a representação dos contrastes ou das oposições da vida. Um ensinamento fundamental do martinismo estabelece que "toda força requer uma resistência; toda luz, uma sombra; toda convexidade, uma concavidade; tudo que escorre, um receptáculo; todo soberano, um povo. A afirmação se confirma pela negação. O forte so triunfa pelo contraste com a debilidade do fraco." Esses contrários manifestam a lei da dualidade e caracterizam todo tipo de vida.
Esta lei dos contrários ou oposição fundamental visível por toda a parte e manifesta exemplos conhecidos, como o bem e o mal, o homem e a mulher, a razão e a lei, Caim e Abel, é a destruidora aparente do equilíbrio. Ela torna necessário um terceiro pilar, ou seja, uma condição igualmente fundamental, mas não manifesta, indispensável para conciliar essas oposições existentes para reuni-las em uma nova unidade harmoniosa. Essa terceira condição é a lei do equilíbrio. Não se pode penetrar neste Templo da Sabedoria a não ser trazendo a diversidade representada pelos pilares que são as oposições da vida, conduzidas à unidade por meio de um termo conciliador que é a lei do equilíbrio.


O número três, portanto, apresenta-se como símbolo perfeito desse princípio conciliador e essa é uma das razões pela qual ele faz parte da maioria das doutrinas místicas. Historicamente, o conhecimento deste terceiro termo deu nascimento ao dogma da Trindade, que se encontra em todos os sistemas de teogonia ou geração de deuses.
Para os egípcios, o termo conciliador do equilíbrio entre Osíris e Ísis era o filho de ambos, Hórus. O próprio Osíris conciliava Amon, a deificação do princípio ativo do universo e Ptah, deificação do princípio passivo. Na teogonia Hindu, Shiva, o transformador, une os poderes de Brahma, o Criador, e de Vishnu, o conservador. Na teogonia cristã, o mediador entre o Pai, ou princípio ativo e o Filho ou princípio conservador, é o Espírito Santo ou força animadora universal.
Designações como a "luz" entre os cabalistas, a "pedra fundamental" entre os herméticos, o "fogo central da natureza" entre os rosacruzes, a "pedra cúbica" entre os maçons, equivalem a um termo mediador entre dois opostos. No martinismo, os pilares tornam-se um fundamento sobre o qual o buscador sincero estabelece sua força.
De outro ponto de vista, os dois pilares representam a força criadora binária universal. O poder criador de Deus emana do centro do universo ( a Imensidade Divina ) como uma força divina dupla ou binária. A essência negativa desse poder criador forma a substância que é a base da criação material; a essência positiva que respiramos fornece a qualidade anímica, a força vital e o princípio de vida a todas as criaturas vivas.
Apesar da dualidade aparente que parece dividir o universo, tudo é Um na manifestação. Na terceira condição de manifestação, o positivo e o negativo estão conjugados e os opostos se fundem num outro estado. Mas devemos lembrar sempre que o homem é o único centro para assimilação e liberação de forças cósmicas. Nele há uma força particular de majestoso poder. Essa força é a que devemos aprender a canalizar para realizar a saúde e a harmonia para nós mesmos e a felicidade e a paz para aqueles cuja existência é afetada por nossa forma de viver e pensar.
Diante das forças construtivas e destrutivas o buscador sincero pode gerar uma condição de equilíbrio diante da qual todos os conflitos e antagonismos da vida terrena podem ser reconciliados na harmonia. As provas que sofremos em nossa existência, as tentações que nos assaltam diariamente, as incitações, os impulsos e inclinações que experimentamos, tudo provém do transbordamento da energia que emana dos pilares. Essas forças nunca estão em repouso e dançam perpetuamente em ritmos múltiplos e sob múltiplos disfarces. O adepto deve ter muito cuidado.
O místico deve ter muito cuidado ao conhecer essas forças, recebê-las e equilibrá-las. Deve a todo instante afirmar-se autohipnoticamente e ser o mestre, ou acabará sendo atirado para fora do caminho. Deverá se orgulhar ao afirmar: " vim por entre pilares", significando que percorreu o caminho do meio, do equlíbrio de forças, através dos turbilhões e dificuldades materiais da vida, mas que conservou, acima de tudo, sua serenidade e discernimento, que é característica de seu bom livre-arbítrio.
Querido Irmão e Irmã. Esses pilares eternos do poder antigo estão agora em seu caminho. A necessidade exige que você vá ao seu encontro. Você não pode modificar seu caminho nem escapar ao seu destino. A vida está à sua frente, cheia de inúmeras ilusões e múltiplas oposições, mas precisa ser enfrentada. Aceite-a corajosamente. Ore e labore a fim de poder encontrar a Força, a Sabedoria e a Beleza para erguer, sustentar a adornar o seu Templo Interior.
Os sacrifícios exigidos do buscador são consideráveis e por vezes difíceis de cumprir, mas o objetivo é imortal e estável, e as recompesas da fidelidade e da perseverança vão superar qualquer coisa quando a rosa finalmente desabrochar.


