Revivificar a sua vontade


Essencial é para o ser humano revivificar a sua vontade a fim de reencontrar sua liberdade e sua potência e reassumir o lugar que lhe pertence no universo.

A justiça quer que a ferramenta da nossa Queda seja também a da nossa reintegração: " Como foi por ela que ele se desviou, é somente pela força dessa vontade que ele pode esperar ser restabelecido nos seus primeiros direitos. É então no seu próprio princípio que a vontade encontra os meios da sua revivificação, tanto mais que " o mistério do seu princípio é tal que sua energia aumenta à medida que ela se exerce, e que sua força, ainda que perpetuamente comprimida, nunca é vencida".

Para revivescer sua vontade, o ser humano, por sua natureza quarternária, dispõe das quatro forças morais simbolizadas pela esfinge: "A esfinge representa, não somente o ser humano em suas quatro acepções, mas também as quatro idades dele: a infância, a juventude, a idade madura e a velhice; ela representa as quatro forças morais que o ser humano pode ter à sua disposição e que são sintetizadas nestes quatro termos: saber, ousar, querer e calar-se.

Saber é compreender o lugar da vontade na constituição metafísica do ser humano para poder integrar esta compreensão num plano prático, " deixando a inteligência reinar sobre o corpo". É também compreender o lugar do ser humano no universo, a fim de dar lugar à vontade no processo de reintegração. O ser humano foi estabelecido para reinar sobre si mesmo e a área sensível. É uma potência destinada pela eterna sabedoria a dominar a natureza inferior, a restaurar a harmonia na discordância de seus elementos, a coordenar seus três reinos entre si e a elevá-los da diversidade para a unidade.

Querer é primeiro agir, pois essa ação é o germe essencial da nossa reabilitação. É pela nossa identificação com essa terceira faculdade que devemos começar a corrigir as deformidades que nos desfiguram, pois a lei pela qual o Primeiro Princípio nos deixa aqui em baixo perceber sua imagem estando ligada a uma ordem temporal e sucessiva, devemos trabalhar para manifestar os direitos e a vida da ação divina, antes de pretendermos manifestar as duas faculdades que a precedem, dado que em toda progressão ascendente é preciso passar pelo inferior antes de ir ao superior.

Ousar é correr riscos, enfrentar suas trevas, identificar e tratar seus temores, um por um, até o último, o mais profundo, e além disto, nosso temor mais profundo não está em que não estejamos no alto, nosso temor mais profundo é de sermos poderosos além de todos os limites. É nossa própria luz e não nossa obscuridade que mais nos assusta, como expressa tão admiravelmente e mais concretamente Nelson Mandela: " Restringir-vos, viverdes pequeno, não prestardes serviço ao mundo. A iluminação não está em vos retrairdes para evitardes tornar os outros inseguros". A vontade deve então enfrentar esse último temor devido à vertigem que lhe dá a visão de sua própria potência.

O ser humano pode também se calar esquecendo sua vontade e deixando agir a da Causa ativa e inteligente que é a única que agirá por ele e então nada poderá resistir à potência da sua vontade, quando sua vontade, emocionada com o amor divino, princípio de toda virtude, agirá em conformidade com a Providência Divina.

Paz Profunda e Boa Semana.