
A peça principal de qualquer xadrez espiritualista é aquela que diz que sempre existirá uma vida após a outra, ou melhor, quando nos separamos de nosso corpo físico, pela passagem (morte) para o plano espiritual, apenas o nosso corpo físico se desfaz. Nossa alma liberta-se de seu invólucro e prossegue sua existência. A isso se sucede uma nova existência, um novo nascimento. Nesta ou em outras formas de vida, neste ou em outros planetas, um novo período de amadurecimento, outra vez a senilidade e finalmente a morte liberando o espírito, até que este possa perder totalmente sua individualidade para fazer parte do conhecimento total da essência da verdade, que é Deus. Diferentemente da crença católica em que, após a morte física, o destino da alma é a total bem aventurança, um período intermediário no qual o espírito é punido por pequenos erros e, finalmente, uma eternidade de provações e de castigos aplicável àqueles espíritos considerados inferiores e semeadores do mal. Em outras palavras, o Céu, o Purgatório e o Inferno. Ali, os espíritos aguardarão a ressurreição, isto é, creem os católicos que um dia ressurgirão com os mesmos aspectos físicos de antes da morte, no dia do Juízo Final. Seria mais ou menos, como retornar ao antigo corpo, que voltaria a ter o mesmo aspecto de antes da morte.
Reencarnação, ao contrário, é o renascimento dessa mesma alma em outro corpo preparado ou concebido para esse fim. Em outras palavras, a morte é uma renovação. É preciso que se morra para que se possa renascer.
Entre uma encarnação e outra, o espírito que em tempo algum deixou de existir, pode, de alguma forma, se comunicar com os encarnados e por intermédio de algum destes, até mesmo servir-se de seus corpos físicos nessas comunicações. A estes últimos damos o nome de Médiuns.
Mediunidade é a faculdade que determinados indivíduos possuem de poder captar de algumas formas vibrações espirituais, ou mais diretamente, a faculdade que certas pessoas têm de poder, até mesmo, emprestar seu corpo físico a um espírito desencarnado.
São várias as formas de mediunidade, entre as quais, a clarividência, a auditiva, o desdobramento, a vidência, a psicografia e a incorporação dentre outras.
Criou-se também, dentro das diferentes doutrinas espíritas e espiritualistas, um verdadeiro tabu, de que só é médium (como o próprio nome diz, o meio de que servem os espíritos para as suas comunicações) aquele que não tem consciência do que ocorre durante a incorporação. E isso não corresponde à verdade.
Todo médium passa por diferentes estágios durante seu desenvolvimento mediúnico. Geralmente as primeiras manifestações ocorrem em estado de inconsciência. Depois, quando se inicia o desenvolvimento, o médium passa por um período de quase total consciência e, posteriormente, à medida que as entidades se adaptam, o constante exercício da incorporação torna-o melhor ajustado às suas funções. O médium passa primeiro por um estágio de semiconsciência, isto é, ele recorda-se de alguns fatos, mas geralmente não consegue lembrar-se de detalhes. É como se tudo tivesse ocorrido como em um sonho, como se visse através de uma névoa ou mesmo depois de ter abusado do álcool. Depois, então, torna-se totalmente inconsciente, embora conheça-se muitos médiuns que sempre foram totalmente inconscientes, e também vários, não menos eficientes, que nunca conheceram a inconsciência em sua plenitude.
Como exemplo, podemos dizer que o médium é um automóvel e o seu espírito o motorista que o conduz. Imaginemos agora, um outro espírito, em nossa história, que não tem mais o seu automóvel ( corpo físico ) e pede ao primeiro para usar o seu, mas com a condição de que o primeiro também participe do passeio ou da viagem. Emprestando seu carro ao outro, senta-se no local destinado ao passageiro. Como ele não sabe de que forma o outro dirige, viajará apreensivo durante algum tempo até se certificar da habilidade do outro motorista, pois cada erro notado será um arranhão em seu patrimônio. Se ele avança o sinal, será o primeiro quem levará a multa ou se arriscará a sofrer danos em seu veículo. Todavia, se após algum tempo de viagem, o passageiro constata que o motorista é cuidadoso, que não comete imprudências e zela pelo seu veículo, poderá se distrair observando a paisagem. E ao final da viagem, embora naturalmente acabem chegando juntos, por se distrair, não saberá dizer com certeza todos os detalhes do caminho e, quando mais tarde, participarem juntos de outros passeios mais longos, fatalmente acabará por se abandonar no banco do carro, adormecendo. Naturalmente, no final dessa viagem, não terá mais recordação alguma do que aconteceu enquanto dormia, embora não houvesse, em tempo algum, se ausentado do carro.
O primeiro caso mencionado é o do médium consciente, que no início do desenvolvimento não consegue se entregar por inteiro à entidade, trabalhando na maior parte do tempo, irradiado, sem total e completa incorporação. O segundo caso, aplica-se ao médium depois de alguns anos de trabalho mediúnico, quando, mesmo tendo sido considerado médium consciente, lembra-se apenas de parte dos fatos ocorridos durante o transe mediúnico, não conseguindo fixar-se nos detalhes.
E finalmente, o terceiro dos casos citados é o do médium inconsciente, que atingindo uma total identificação vibratória com a entidade pode abandonar-se, permitindo, então, o mais absoluto controle do seu corpo e de sua mente pela entidade incorporada, resultando disso, a recordação de absolutamente nada do que lhe aconteceu durante a incorporação.
O ESPÍRITO SE ADAPTA AO CORPO EM QUE INCORPORA, PORÉM RESPEITA SUAS LIMITAÇÕES.
Paz Profunda


