
Como ensinou Pitágoras, a iniciação é o fundamento da evolução humana. Tendo consciência disso ou não, enquanto o homem viver estará se auto-iniciando. Sendo sua alma imortal, seu caminho iniciático não tem fim. Assim, desde sua primeira encarnação, ele sempre foi confrontado pela necessidade de compreender e aprender. Durante milênios, essa necessidade teve o único propósito de preservar sua existência. Vivendo em um ambiente hostil, nossos ancestrais tinham como única preocupação assegurar a sobrevivência. Toda a sua energia física e mental voltava-se para a sua proteção contra predadores e a satisfação das necessidades do corpo, sendo a nutrição a mais importante delas. Com a descoberta do fogo, o homem venceu uma etapa fundamental de sua evolução, pois ela lhe propiciou não só a aquisição de certo bem-estar, como também a capacidade de vencer as trevas da noite e prolongar suas horas de vigília. Foi então que a humanidade nascente começou a se iniciar ao seu próprio destino.
Desde tempos imemoriais, os homens multiplicaram suas crenças e cultos. Eles atribuíram feições e numerosos nomes a Deus. Mas em todos os tempos, eles foram animados pelo desejo de conhecê-lo, sendo esse desejo a origem das diversas religiões. Mas as religiões só constituem uma forma exotérica de iniciação, porque apresentam a Divindade como um poder exterior ao homem e encorajam a exteriorização da fé. Ainda mais, sua crença geralmente é baseada nos ensinamentos atribuídos aos profetas ou aos messias com que se identificam. Aquele que busca a iniciação verdadeira deve, ao contrário, voltar o olhar para o seu interior, venerar o Deus que está nele e aprender a escutar a Verdade expressa por sua consciência. Portanto, é no mais profundo de nós mesmos que se encontra o " initium", ou seja o "mistério" que está na origem de nossa existência e que precisamos descobrir para não termos mais a obrigação de reencarnar. Esse é, o objetivo a ser atingido ao final de nossa evolução terrestre: libertarmo-nos desta prisão da matéria e conhecer a felicidade dos Anjos.
Desde a mais remota antiguidade, todos os Sábios ensinaram que "ser iniciado é morrer para si mesmo". Com isso, eles queriam dizer que a iniciação só pode ser obtida por nossa libertação das paixões do ego, dando lugar à supremacia da alma. Na verdade, é dela que pode provir a luz que deve aclarar nossa consciência e despertá-la para o mundo espiritual. Para que esse despertar possa se produzir, é preciso adormecer os desejos do corpo e impedir que eles venham osbcurecer as aspirações de nosso Eu Interior. O renascimento do Novo Homem exige, portanto, a morte do velho homem e renúncia definitiva ao domínio dos sentidos. É a essa morte iniciática que todo místico deve dar seu consentimento se quiser ressuscitar para a verdadeira Vida. Essa é uma etapa primordial no processo iniciático que deve liberá-lo definitivamente de seus estado de exílio em que vive.
O homeme não pode encontrar sozinho o caminho da iniciação. Em um determinado momento de sua busca, ele tem necessidade de ser guiado para o caminho e aceder ao Conhecimento que os Mestres nos transmitiram através das eras. É então, que a Divina Providência o conduz para um dos doze caminhos tradicionais emanados da Tradição Primordial. Entre esses caminhos, o da Rosacruz é um dos mais iniciáticos, pois sua vocação sempre foi o de encorajar seus adeptos a buscarem a iluminação junto ao Mestre Interior de cada um. Esse empreendimento é muito difícil, pois é muito mais fácil servir a qualquer Mestre ou guru exterior. Mas, a iluminação só pode provir de nós mesmos e de mais ninguém, já que a sabedoria não se adquire ouvindo os outros falarem de sabedoria, mas aprendendo a ser sábio. Na verdade, poucos são os buscadores que possuem força de vontade suficiente para encontrar em si mesmos a fortaleza interior que lhes permita a auto-iniciação. Porém, existem aqueles que atingem os mais altos cumes da iniciação, pois nada é mais elevado do que a Verdade que surge da própria alma.
De acordo com uma antiga regra rosacruz, a iniciação leva ao reino da raz~]ao o objetivo a ser atingido, e ao reino da emoção o ideal que nos incita a solicitar nossa introdução aos mistérios. Mas qual é esse objetivo? Qual é esse ideal? Na verdade, ambos formam uma unidade e definem em si mesmos o sentido do destino humano. Como todo místico sabe e sente, trata-se de receber a iluminação e por ela aceder à sabedoria a que ele espira mental e emocionalmente. Assim, todo buscador da iniciação deve elevar-se para o estado de iluminado. Segue-se daí que a iniciação não é um fim em si mesma, mas apenas uma etapa no caminho da evolução espiritual. Além disso, deve-se considerá-la como um meio privilegiado de atingir a iluminação. Por isso, não existe uma só, mas muitas iniciações, cada uma delas nos aproximando gradualmente do objetivo a ser atingido, e nos fazendo tomar mais consciência do ideal que perseguimos em nossa busca dos mistérios.
Há séculos a Tradição Rosacruz perpetua suas próprias iniciações. Inspiradas nos rituais que eram feitos na Escolas de Mistérios da Antiguidade, particularmente nos templos do Egito e da Grécia, elas contém, todos os elementos necessários à elevação da alma. Os Mestres que a conceberam eram iluminados e tinham um grande conhecimento da natureza humana. Sabiam que todo místico tem necessidade de um referencial para dar seguimento a sua jornada interior. Conscientes do fato de que o homem é tão sensível ao que vê quanto ao que ouve, eles deram uma forma teatral às iniciações. Assim, elas incluem não só os textos esotéricos como ainda as perambulações especiais e gestos simbólicos a serem efetuados, com o conjunto formando um ritual iniciático. Para que o ritual tenha o impacto tradicional desejado, deve ser realizado num Templo devidamente consagrado à Causa Suprema, na presença de oficiais devidamente autorizados e preparados, encarregados de guiar os candidatos.
Na verdade, enquanto o homem não tiver atingido um nível de consciência suficientemente avançado para se elevar por si mesmo aos pináculos supremos da iluminação, essas iniciações serão uma necessidade absoluta para que a Rosa possa se abrir em plenitude na Cruz.
Paz Profunda



